Saída da UTI em breve

De manhã a fisioterapeuta me ligou aqui dizendo que a mamãe tinha pedido que eu fosse lá. Então desencanei de fazer o bolo que eu havia planejado e fui para o hospital, chegando às 11 horas. Ela conversou, pediu que eu lesse revista, apliquei okyome, fiz massagem nos pés. Teve uma hora que ela disse que queria só descansar, então ficamos juntas, sem falar ou fazer nada. Também foi gostoso. Ao meio dia e meia chegou meu pai como combinado para "almoçarmos" juntos. Papai ficou tentando conversar com ela, pedindo para eu traduzir a leitura de lábios, mas eu não entendo muito mais do que ele. Voltamos pra casa para almoçar. Depois do almoço fui tentar fazer o bolo, a batedeira não estava funcionando então desencanei mais uma vez de fazer o bolo e comprei-o pronto. Logo já deu a hora de ir para o hospital novamente. Desta vez aproveitei para simplesmente estar junto, deitei minha cabeça no travesseiro dela e ficamos "lado a lado". À noite eu e meu pai demoramos muito para sair de casa porque chegou uma máquina nova de lavar roupa e o papai ficou um tempo instalando-a. Chegamos na UTI já eram 21:40 e a enfermeira disse que tinha acabado de aplicar o remédio para ela dormir. Elas acharam que não iríamos mais hoje. Remédio forte esse, porque a mamãe estava dormindo profundamente, nem tomou conhecimento da nossa presença. A enfermeira contou que minha mãe conseguiu escrever direitinho "Por favor, pegue a minha bolsinha". Não vi o papel mas achei ótimo saber que a mamãe conseguiu escrever.

No fim da tarde meu pai falou com a fisioterapeuta, na visita da noite ele conversou com o médico e aprendemos que é provável que a mamãe saia da UTI amanhã e vá para um quarto. Ainda não sei como será o horário de visitas ou mesmo se a mamãe vai querer visitas neste momento, portanto peço a todos que tenham paciência e aguardem um pouco mais para vê-la. Eu venho perguntando-lhe há alguns dias se ela que eu chame alguém para visitá-la mas ela diz que por enquanto não quer receber ninguém porque não consegue falar. Suponho que ela também esteja se sentindo desconfortável com esta nova situação e que precise de um tempo para se acostumar com a idéia de ser vista com traqueostomia. Não é bonito, posso lhes antecipar. Mas a pele do rosto dela continua linda. Hoje mesmo no horário de visita uma outra visitante veio me perguntar se ela era minha mãe e comentou como ela era jovem. Perguntou a idade, respondi-lhe que minha mãe tem 62 anos e a pessoa se surpreendeu. Disse que achava que minha mãe tinha uns quarenta e poucos. Minha mãe ficou toda feliz e orgulhosa. Dá-lhe verdura! Minha mãe sempre teve uma alimentação de coelho e eu acho que é por isso que ela tem esse rosto tão lindo.

Mamãe no Reveillon 2010.

Tomou café

De manhã cedo falei com a fisioterapeuta por telefone e ela me explicou que na noite de quarta pra quinta (duas noites atrás) mamãe foi transferida de volta do bipap para o respirador grande porque tinha dado uma rolha na cânula. Cânula é o canal da traqueostomia. A rolha foi um juntamento de secreção e sangue que obstruiu a traqueostomia. A fisioterapeuta disse que o respirador hoje já estava com os parâmetros iguais aos do bipap havia meia hora e minha mãe estava reagindo bem, portanto ela iria passar de volta ao bipap logo.

Na visita das 17 horas mamãe estava no bipap de novo, dormindo profundamente, até apliquei okyome nela sem que ela acordasse. A psicóloga veio conversar comigo, disse que ela dormiu o dia todo, mas que de vez em quando ela (psicóloga) vinha acordá-la para conversar. Perguntei se eu deveria acordá-la e insistir para conversar, e a moça disse que como era só meia hora de visita seria bom estimulá-la. Então comecei a contar das pessoas para quem liguei ou que ligaram, fui falando, contando novidades, mas ela não tinha forças para responder. Ela também não tinha forças para mexer os braços e pediu que eu os mexesse por ela.

À noite, cerca de 21 horas, voltei com papai. Mamãe pediu café, biscoitos e fruta. Por enquanto dá pra ela tomar o café. Ela nem teve medo de perder o sono, mandou ver o cafezinho às 10 horas da noite mesmo. Nada que 3 gotas de rivotril (remédio para dormir) não resolvam. Ela pediu para eu ir levar café pra ela de manhã e nós dois irmos almoçar com ela. Bem, ela não almoça porque recebe alimento pelo tubinho que vai do nariz até o estômago e nós dois não podemos comer no hospital. Então combinamos de ir lá na hora do almoço fazer companhia pra ela, mesmo não podendo "almoçar". A pedido dela vamos levar café e suco de pêssego. Quanto ao café de manhã eu expliquei que naquele horário estaria fazendo um bolo para uma funcionária nossa que faz aniversário, portanto era melhor eu deixar para ir na hora do almoço com meu pai. Comecei a lixar as unhas dela, como ela havia pedido ontem, mas terminei só uma mão. Toda hora meu pai pedia para eu parar para prestar atenção no que ela estava falando e tentar entender. Hoje ela estava mais cansada portanto era mais difícil entender. Ela pediu para ir para a poltrona mas os enfermeiros disseram que neste horário não era indicado, pois é o horário de dormir. Então ela se contentou em mudar de um lado para o outro.

Estou pingando de sono e muito cansada, mas não quero dormir. Quando estou dormindo não quero acordar. Por mais que eu durma parece que continuo cansada, acho que é a preocupação. Este blog está me ajudando bastante, parece uma pequena terapia diária. Obrigada a todos vocês que estão acompanhando e dando a maior força. Está me fazendo bem saber que tem gente no cyberespaço que gosta da mamãe e está acompanhando cada passo desta evolução. Um beijo grande pra todos vocês.

De volta ao respirador

Mamãe ficou muito cansada portanto ela voltou ao respirador grande. Na visita das 17 horas ela estava muito sonolenta, quase não conversou comigo (respondeu apenas 3 ou 4 perguntas) e ficou dormindo a maior parte do tempo. Apliquei okyome e fiquei fazendo carinho. Ontem à noite ela tomou remédio para dormir e parece que permaneceu um efeito residual do medicamento. Às 21 horas voltei com papai e ela estava um pouco menos dorminhoca. Se nos dias anteriores dava para entender 20% do que ela balbuciava, hoje deu para entender uns 10%.

Hoje vi o papai fazer carinho no rosto da mamãe e foi comovente.

Há uma música muito bonita que eu passo os dias repetindo na minha cabeça e pensando na mamãe, como se fosse uma oração. Chama-se You Can Relax Now (Você pode relaxar agora) de Shaina Noll, do CD Songs for the Inner Child (Músicas para a criança interior). Seguem música, letra e tradução: 

You can relax now (Você pode relaxar agora)
C'mon and open your eyes (Vamos lá e abra seus olhos)
Breathe deeply now (Respire profundamente agora)
I am with you (Estou com você)

Oh my sweet sweet child (Oh minha criança doce, doce)
Who do you think you are? (Quem você pensa que é?)
You are the child of God (Você é a criança de Deus)
And that will never change. (E isto nunca mudará)

You had a dream, you misunderstood (Você teve um sonho, você o interpretou mal)
You thought we were separate (Você pensou que fôssemos separados)
But now you hear my voice and (Mas agora você ouve minha voz e)

You can relax now (Você pode relaxar agora)
C'mon and open your eyes (Vamos lá e abra seus olhos)
Breathe deeply now (Respire profundamente agora)
I am with you (Estou com você)

You are the love of my life (Você é o amor da minha vida)
You are my one creation (Você é a minha criação)
You are eternity (Você é eternidade)
And that will never change. (E isto nunca mudará)

You had a dream, you misunderstood (Você teve um sonho, você o interpretou mal)
You thought we were separate (Você pensou que fôssemos separados)
But now you hear my voice and (Mas agora você ouve minha voz e)

You can relax now (Você pode relaxar agora)
C'mon and open your eyes (Vamos lá e abra seus olhos)
Breathe deeply now (Respire profundamente agora)
I am with you (Estou com você)

You are the love of my life (Você é o amor da minha vida)
You are my one creation (Você é a minha criação)
You are eternity (Você é eternidade)
And that will never change. (E isto nunca mudará)

You can relax now (Você pode relaxar agora)
I am with you (Eu estou com você)
You are the child of God (Você é a criança de Deus)
And that will never change. (E isto nunca mudará)

You can relax now (Você pode relaxar agora)
You are the child of God (Você é a criança de Deus)

Songs for the Inner Child

O CD é lindo, eu recomendo. Ele é importado. Você pode comprar na CDpoint, que é uma empresa brasileira de CDs que importa e paga os impostos por você ou pedir na própria Amazon e pagar os impostos ao retirar o pacote no correio (livros são isentos de impostos de importação, mas CDs, não). Eu canto pra minha mãe mas eu acho que a música é Deus conversando comigo.

Vera agradece e o bipap chegou

Mamãe pediu para agradecer a todas as manifestações de carinho, comentários no blog, telefonemas, leitores, twitteiros e quem mais estiver ligado. Hoje fui lá às 15 horas com o Papai, ele saiu pra trabalhar e eu fiquei de fininho, tentando ser invisível, e consegui ficar até o fim do horário das visitas às 17:30. Depois voltei com ele mais à noite.

A recepcionista da UTI me ligou pouco antes das 15 horas e por coincidência já estávamos de saída para o hospital. Ela deve estar acostumada a dar notícia ruim, porque ela se apressou em falar ao telefone "Oi Ines, aqui é do CTI, mas não aconteceu nada, não, a Vera está bem, ela só está pedindo os óculos." Voltei para pegar os óculos, de bom grado.

Quando chegamos a primeira coisa que minha mãe perguntou é se havíamos notado algo diferente e ela extendeu o rosto orgulhosa. Fiquei procurando... Pintou o cabelo? Cortou o cabelo? Parecem-me as coisas mais naturais quando uma mulher pergunta se você notou alguma coisa diferente. Não, era o aparelho novo! O bendito bipap tinha sido instalado. Na verdade eu nem tinha pensado nele porque a fisioterapeuta já tinha ligado para avisar que ele estava instalado.

Quando cheguei ela estava na poltrona, torta para um lado, e pensei "que estranho que os enfermeiros tenham a deixado assim". Ela disse que estava muito cansada, queria ir para a cama, perguntei-lhe há quanto tempo ela estava na poltrona, ela respondeu que cerca de 1 hora, então expliquei-lhe que ela precisa ficar mais tempo na poltrona para se fortalecer. Conversei com o médico sobre o desejo dela de ir para a cama imediatamente e ele me disse o que eu já sabia da mesma história de ontem, que ficar sentada é bom para os músculos respiratórios dela, muda a posição, etc. Então ela pediu para pelo menos a endireitarem na poltrona. Pedi aos enfermeiros e um casal veio, de bom humor, rindo e brincando com ela. O bipap assopra ar pra dentro da traqueostomia e também tem um buraquinho por onde sai o excesso de ar e o gás carbônico. Se a gente chega pertinho dela dá pra sentir um ventinho. Então os enfermeiros ficaram brincando que ela tem um ventilador pessoal. Eles também comentaram que de manhã eles tinham feito a maior festa com a escova de dentes de motorzinho que levei para ela ontem. Achei super legal esse clima alegre, afinal a UTI abriga tantas histórias tristes, só com muito bom humor para conseguir manter a sanidade mental.

Enfim, mais uma vez ela ficou tentando falar muito e eu entendendo pouco. Ela ainda não consegue alcançar para coçar o nariz, mas já consegue apoiar o queixo na mão direita. Falei que ela fica parecendo a escultura de "O Pensador" :)

Eu observei que em um intervalo de mais ou menos meia hora ela estava torta novamente, desta vez para o outro lado. Eu vi os enfermeiros colocarem-na perfeitamente reta e agora ela estava torta novamente? Parece que ela foi pendendo para o lado bem lentamente, de forma quase imperceptível. Comecei a reparar melhor e realmente ela não estava conseguindo segurar a cabeça firme. Apliquei okyome, conversamos, ela colocou e tirou os óculos quantas vezes quis e chegou à conclusão que estes são os óculos dela mesmo.

Chegou o horário do fim da visita e parti, junto com os outros visitantes. Resolvi ficar por ali perto do hospital esperando meu pai pois hoje eu estava sem carro, o segundo carro estava na oficina. Fiquei fazendo hora na lanchonete do outro lado da rua.

À noite quando meu pai chegou ele entrou antes de mim na UTI, como ele sempre faz. Ele voltou dizendo que a mamãe estava cansada e que ela pediu 10 minutos para dormir antes de se encontrar conosco. Esperamos por 10 minutos e entramos. Não é pra menos ela ficar cansada, ela tenta falar muito, e só respirar já é um esforço, quanto mais falar... O médico acha que ela precisa de 1 a 3 dias de adaptação ao novo aparelho na UTI, mas nós achamos que com o tanto que ela está ficando cansada, é pouco provável que ela saia em 1 dia. Na hora de partirmos ela disse que estava preocupada que eu fosse voltar sozinha à noite, e explicamos que eu não ia ficar lá, eu ia embora com o papai, pois não tem lugar na UTI para eu ficar. Mas avisamos que quando eu ficasse no quarto, eu ficaria a noite inteira e não sairia sozinha à noite. Explicamos que quando eu saí sozinha mais cedo era de tarde ainda, não era de noite, portanto ela não precisava se preocupar. Acho que depois de 18 dias de UTI qualquer cristão perde a noção do que é dia e o que é noite.

Convidada

Parece que minha mãe estava falando muito a meu respeito hoje de manhã, pois ligaram aqui em casa pedindo para eu comparecer ao hospital às 11 horas. Lá fui eu, feliz da vida, pela primeira vez "convidada" para entrar na UTI fora do horário, sem ser penetra. E fiquei impressionada, deixaram eu ficar lá à vontade, ninguém me pediu para sair. Fiquei até não aguentar mais de fome, às 14 horas. Minha mãe estava na poltrona, alegre e falando pelos cotovelos. Quer dizer, movimentando os lábios e eu entendia uma pequena proporção do que ela falava. Eu disse a ela que eu monopolizava o horário de visita e não deixava ninguém visitá-la porque era a única meia hora garantida que eu tinha com ela (às vezes mesmo com o papai não me deixavam entrar). E como eu tinha conseguido entrar hoje eu poderia chamar amigas dela, perguntei se ela gostaria que eu chamasse alguém. Ela disse que preferia não receber visita por enquanto porque não consegue falar. Fiz okyome, massagem nos pés, conversei, foi bem legal. Por volta de 13 horas ela começou a reclamar que estava cansada, com dor nas costas, e pediu para voltar pra cama. Ela perguntou quando o Fabiano vai chegar. Quando eu estava de saída eu perguntei se ela queria mais alguma coisa e ela pediu shampoo e creme. Uai, mas já não tinha na necessaire? Verifiquei na bolsinha e parece que acabou mesmo. Amanhã vou levar mais.

Ela pediu para eu ligar para a Tatiane para recomeçar a fazer fonoaudiologia. Quando cheguei em casa liguei para a Tatiane e hoje mesmo ela foi lá. A Tatiane disse que minha mãe mostrou que passa o dia fazendo os exercícios que elas costumavam fazer. Bem a cara da minha mãe, não desiste nunca.

No horário oficial de visita fiquei aplicando okyome e ela estava mais quieta, conversamos menos. Foi um período mais curto também (meia hora).

À noite voltei com meu pai e ela tentou conversar bastante com ele, mas entendemos apenas uma fração do que ela falou. Ela se esforça bastante, repete, tem paciência, mas é assim mesmo. Ela estava contrariada, falou coisas do tipo "Me tira daqui" e "Quero ir embora". Não é pra menos. Enquanto ela estava sedada ou dopada ela nem via o tempo passar, praticamente não estava ali. Mas agora ela está alerta, completamente presente, e deve estar entediada. Ela não tem forças para segurar um livro e se entreter, por exemplo, e mesmo que tivesse ela disse que os óculos que levamos para o hospital não são dela. Suponho que foram trocados ou talvez sejam óculos antigos que o grau não serve mais.

O aparelho respirador portátil teoricamente chega amanhã e o médico acha que ela deve ficar mais uns dois ou três dias em observação na UTI para acompanhar a adaptação dela. Mais essa prova, Mãe! Persistência!

Sempre que meu pai vai embora ele fala assim. "Vera, eu preciso ir embora, posso ir embora?" Ela responde que sim e eles se despedem. Hoje pela primeira vez ela dizia que não. Pedia para ser colocada na poltrona (que os enfermeiros diziam que não podiam mais fazer isto por causa do horário e porque estavam ocupados com outras coisas), pedia para ficarmos, pedia para a levarmos embora. Meu pai ficou quase meia hora conversando com minha mãe tentando convencê-la a deixá-lo ir. Ela finalmente disse: "Então a Ines fica". Comecei a rir. Ela estava brava. Acho que no fundo essa reação dela é um bom sinal, quer dizer que pelo menos mentalmente ela já está preparada para sair dali. Vamos torcer para ela ter mais uns dias de paciência.

Estou de volta a Uberaba. Eu trouxe meu omitama, que eu havia deixado em São Paulo na primeira vez que vim pra cá, na pressa. Omitama é uma medalha sagrada que carrego no peito e faz parte da Mahikari. A Mahikari é aplicação de energia através da imposição da mão. Então hoje foi a primeira vez desde que minha mãe foi hospitalizada que eu pude aplicar energia (okyome) nela pessoalmente. Antes a Elenida e a Letícia estavam aplicando okyome na mamãe e a elas sou imensamente grata.

Ela estava bem acordada, como meu pai havia descrito. Ela sorriu, gesticulou timidamente, e se comunicou através da movimentação dos lábios. É difícil entender o que ela quer dizer, mas algumas coisas deu para captar. Deu até para ter um diálogo. Olha só o que nós conversamos:
- Quero comer - disse ela
- Mas você não pode comer. Você está com fome?
- Não.
- Então você está com vontade de comer?
- Sim.
Chamei a psicóloga, falei pra ela o que eu estava entendendo e pedi para ela confirmar, ela disse que era isso mesmo, que mais cedo minha mãe tinha dito a mesma coisa pra ela. Então resolvi dar corda:
- O que você está com vontade de comer?
- Pudim.
- Pudim de quê?
- Pudim de leite.
- Pudim de leite condensado?
- Não.
- Pudim de leite?
- Sim.
- Então quando o médico liberar eu vou trazer pudim de leite.
Promessa é dívida. Está aqui registrado no blog e em cartório, com testemunhas, pra ninguém me deixar esquecer :)

Parece uma bobagem, mas foi emocionante conseguir conversar com a minha mãe. Pensei que talvez isso não fosse mais se tornar possível. Eu não sabia se eu a abraçava, a beijava, ou simplesmente a olhava. Minha alegria era imensa.

Papai foi visitá-la 3 vezes hoje. O aparelho respirador portátil (bipap) deve chegar esta semana e com o bipap ela pode ir para o quarto.

 

Ela escreveu e até riu :)

Hoje estou em São Paulo. Portanto quem conta as novidades de hoje é meu Pai:

"Hoje notei a Vera bem melhor mentalmente, ela riu, me beijou e fez sinais com as mãos. Falou (sem som), movimentando os lábios e fazendo frases completas. Interessou-se pelo jogo de futebol que estava passando na TV, pediu para por os óculos. Quando falou e repetiu algo que não entendi, perguntei se ela queria escrever e ela escreveu a imagem anexa. Entendi que é "In(es)" e "AC". Disse para ela que o Fabiano ia achar ruim porque ela não escreveu o nome dele e então ela riu. Ainda bem. Não quis escrever mais nada. Parece que se cansa ao escrever."

Amanhã estarei de volta a Uberaba.

 

 

 

 

 

 

 

O que minha mãe escreveu hoje: "In"(es) e "AC" (Antonio Carlos)

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